Avião “Canadair” testa abastecimento de água na Pateira de Fermentelos para reforço do combate aos incêndios


A Pateira de Fermentelos recebeu, na manhã desta quinta-feira, um teste operacional de abastecimento de água realizado por um avião “Canadair”, depois de ter sido instalada a pista aquática que permitirá a utilização daquele recurso hídrico por meios aéreos de combate a incêndios florestais.

A ação envolveu a Câmara Municipal de Águeda, a Junta de Freguesia de Fermentelos, os Bombeiros Voluntários de Águeda e a Proteção Civil, contando ainda com uma equipa de voluntários responsável pela colocação das boias sinalizadoras que delimitam o corredor de operação aérea.

A pista criada ocupa cerca de 1.100 metros de comprimento por 120 metros de largura, estabelecendo uma área específica para o abastecimento dos aviões anfíbios de combate aos incêndios. Para garantir condições de segurança e operacionalidade, a Câmara Municipal de Águeda disponibilizou equipamentos de sinalização e uma ceifeira aquática, utilizada na limpeza da zona e na remoção de obstáculos, como estacaria existente no local.

O vereador da Câmara Municipal de Águeda, Vasco Oliveira, destacou a relevância desta infraestrutura para a resposta operacional aos incêndios florestais.

“É mais uma ferramenta para o nosso dispositivo de proteção civil que já está montado há algum tempo e, obviamente, vem aqui ajudar de uma forma bastante positiva todo este dispositivo de combate a incêndios”, afirmou o autarca, salientando o trabalho conjunto desenvolvido entre a Câmara Municipal, a Junta de Freguesia de Fermentelos e os Bombeiros Voluntários de Águeda.

O vereador frisou ainda que o sucesso do combate aos incêndios depende da articulação entre várias entidades e do trabalho preventivo desenvolvido no terreno. “Tentamos sempre fazer com antecipação todo esse trabalho de fundo junto de todas as entidades e pô-las num comando só, para que, quando chegarmos aos momentos mais difíceis, possamos dar uma resposta bastante ativa”, referiu.

Relativamente à prevenção, Vasco Oliveira apelou ainda à limpeza dos terrenos e áreas envolventes às habitações, lembrando que o prazo para realização desses trabalhos foi alargado até final de junho no concelho de Águeda. “Temos a nossa fiscalização também no terreno, juntamente com a GNR, para que as pessoas vão limpando junto às suas casas”, disse.

Também o presidente da Junta de Freguesia de Fermentelos, Carlos Lemos, sublinhou a importância da criação desta pista aquática, considerando tratar-se de uma mais-valia para todo o território envolvente.

“Criámos esta pista inicialmente a pensar nos aviões Fire Boss, onde já funcionou em pleno. Hoje, pelo que vemos, os Canadair também conseguem abastecer aqui. Se assim for, será sem dúvida uma mais-valia para todo o nosso concelho neste combate a incêndios”, afirmou.

O autarca explicou ainda que o corredor criado na Pateira permite que os aviões efetuem o abastecimento em total segurança, estando a área livre de redes de pesca, estacarias e outros obstáculos que possam colocar em risco as operações aéreas.

“Não é só para o concelho de Águeda, é para todos os concelhos aqui à volta”, salientou Carlos Lemos, destacando a articulação entre Câmara Municipal, Proteção Civil, Bombeiros e Junta de Freguesia para concretizar esta solução operacional.

Durante o período crítico de incêndios, a pista será igualmente vigiada e monitorizada, contando também com a colaboração dos pescadores da Pateira, que evitam colocar redes ou outros equipamentos na zona balizada para garantir a segurança das aeronaves.

Também presente na sessão de testes esteve o comandante dos Bombeiros Voluntários de Águeda, Francisco Santos, que salientou o impacto operacional da nova pista aquática.

“A eficácia dos meios aéreos e a proximidade que têm no ‘scooping’ — momento em que o avião enche o depósito de água no recurso hídrico — rentabiliza toda a operação de combate aos incêndios”, afirmou, considerando a localização da Pateira de Fermentelos estratégica para toda a região.

Francisco Santos explicou ainda que, atualmente, os meios aéreos pesados têm como alternativas de abastecimento a Barragem de Ribeiradio ou o Porto Comercial de Aveiro, o que implica percursos mais longos e reduz a capacidade operacional.

“Se conseguirmos que os Canadair operem aqui na Pateira de Fermentelos é sempre uma mais-valia. Se um avião tiver autonomia para hora e meia e conseguir abastecer aqui, pode fazer cerca de 20 descargas. Se tiver de ir a Ribeiradio, faz metade”, exemplificou o comandante, defendendo que o objetivo passa por “otimizar e tirar o máximo de rentabilidade da aeronave”.

O responsável destacou ainda o papel determinante dos meios aéreos pesados nos teatros de operações, considerando-os “uma ajuda preciosa” no combate aos incêndios florestais.

No final, Francisco Santos deixou recomendações à população para esta fase do ano, apelando à limpeza dos terrenos, à remoção de materiais combustíveis junto das habitações e à vigilância permanente em situações de risco.

“As pessoas devem manter os espaços limpos, afastar os combustíveis das casas e, em caso de incêndio, manter-se no interior das habitações, com portas e janelas fechadas”, alertou, reforçando que muitas ignições junto às habitações podem ser evitadas com pequenas medidas de prevenção.

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