Demissões nos Bombeiros de Sever do Vouga geram polémica: versão oficial contestada e cronologia revela saídas faseadas


A vaga de demissões nos órgãos sociais da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Sever do Vouga está a ser marcada por versões contraditórias, depois de declarações do presidente da direção, Joaquim Amaral de Macedo, apontarem para uma demissão “em bloco” dos três órgãos sociais, alegadamente impulsionada por determinadas forças.

Contudo, uma explicação detalhada dos acontecimentos vem agora contrariar essa leitura, sustentando que as renúncias ocorreram de forma faseada e não simultânea.

De acordo com essa versão, apresentada por Carlos Silva, então presidente da Assembleia Geral, a primeira demissão ocorreu a 16 de março de 2026, quando o próprio renunciou ao cargo por motivos de saúde, com efeitos imediatos. No dia seguinte, 17 de março, Rui Henriques, vogal da direção, apresentou também a sua saída.

A sequência continuou a 18 de março, com as demissões de Osvaldo Tavares, vice-presidente da direção, e de Décio Cancela, tesoureiro. Já a 19 de março, foi a vez de Susana Almeida, vice-presidente da Assembleia Geral, formalizar a sua renúncia.

A maioria dos restantes membros dos órgãos sociais apenas viria a demitir-se no dia 24 de março, mantendo-se em funções dois elementos da direção: Joaquim Amaral de Macedo, presidente, e Hilário Coutinho, secretário.

Esta cronologia sustenta que não houve uma demissão em bloco, mas antes um processo progressivo, ainda que motivado por um sentimento comum de indisponibilidade para continuar em funções. Segundo a mesma fonte, essa decisão coletiva terá resultado do desgaste interno e de divergências profundas, sendo apontada a recusa em continuar a “contribuir para o ego de determinadas forças”.

O comunicado oficial divulgado pelos órgãos cessantes, datado de 25 de março, confirma a renúncia generalizada, ainda que apresente o processo como uma decisão conjunta e solidária, referindo a inexistência de suplentes para garantir a continuidade dos órgãos sociais . No mesmo documento, são denunciadas alegadas pressões, acusações públicas consideradas falsas e a existência de um plano previamente delineado que terá contribuído para o desfecho.

Apesar da crise interna, a situação financeira da associação é apontada como estável. As contas foram aprovadas por esmagadora maioria dos sócios, com um resultado positivo de cerca de 29.729 euros e receitas superiores a 1,12 milhões de euros .

Informações adicionais indicam ainda que, após o pagamento de todas as responsabilidades, a associação dispunha, esta quarta-feira, de um saldo bancário superior a 184 mil euros, reforçando a perceção de solidez financeira num momento de instabilidade institucional.

Perante este cenário, deverá ser convocada uma Assembleia Geral Extraordinária para a eleição de novos órgãos sociais, num processo que se antevê determinante para a recomposição interna e para a continuidade do serviço prestado à população de Sever do Vouga.

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